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O que vi na Alemanha enquanto Di Caprio criticava a Australia

By in Opiniao on 19 de June de 2014

Me desculpem pelo sumiço nas últimas semanas. Sai de férias, e com toda a correria faltou tempo para sentar e escrever. Mesmo viajando carrego o notebook comigo pois entre uma parada e outra sempre sobra um pouquinho de tempo para escrever. Mas dessa vez foi muita coisa ao mesmo tempo, e ainda por cima fiquei gripado com direito a visitar um hospital na Alemanha.

Como estava a passeio, esse post não é para comparar qual país é melhor para viver. Impossível de se julgar sem morar no lugar por pelo menos um ano. Aliás o único brasileiro que conheço que poderia fazer comparações é o Wagner Nunes, que viveu aqui, trabalhou comigo na Optus, e agora está morando em Berlin. Mas gostaria de colocar algumas coisas que ví por lá, que me fizeram refletir sobre o futuro da Austrália.

Pegando o trem de Munique na Alemanha para Salzburg na Áustria, além de apreciar a beleza dos Alpes e das fazendas sempre bem organizadas da Bavária, o que mais me chamou a atenção foi que a maioria das casas, celeiros, galpões, tinham seus tetos (alguns completamente) cobertos por painéis solares. Na viagem de retorno, já em companhia da minha namorada, comentei sobre a quantidade de painéis, e ela também ficou impressionada. Seu comentário foi que isso com certeza deveria ajudar a compensar a energia usada durante os invernos rigorosos da região. Em outro trecho da viagem, já de carro por estarmos percorrendo algumas cidades históricas na região da Franconia, além dos vários painéis de energia solar, nos deparamos também com inúmeros aero geradores ao longo da Autobahn.

Quem me conhece, sabe que na primeira oportunidade, eu iria dar uma fuçada na net para saber mais sobre o uso de energias renováveis na Alemanha, e que acabaria caindo na Wikipedia. Logo no primeiro parágrafo, o que eu vi estava traduzido em dados:

Germany’s renewable energy sector is among the most innovative and successful worldwide. The share of electricity produced from renewable energy in Germany has increased from 6.3 percent of the national total in 2000 to about 25 percent in the first half of 2012. Fonte: Wikipedia

Não vou entrar no debate se a terra está aquecendo ou não, e se o aquecimento é causado pelo homem. Mas poluir e sugar carvão, gás, e petróleo não me parecem coisas sustentáveis. Além de poluirem, uma hora vão acabar. O que creio profundamente é que os primeiros países que desenvolverem tecnologias para geração de energia renováveis, vão estar muito bem preparados tanto para o consumo interno no futuro quanto para a comercialização da tecnologia para os países mais atrasados, ou menos desenvolvidos.

A Alemanha apesar de suas mazelas com duas guerras mundiais, sempre soube investir em tecnologia de ponta. Apesar da inundação de produtos baratos produzidos na China, a Alemanha continua não só produzindo, mas dominando em muitos mercados pela qualidade de seus produtos e inovações tecnológicas.

Num dos vôos tive a oportunidade de assistir o documentário Inequality for All (Desigualdade para todos) do Robert Reich, ex-secretário do trabalho dos EUA no governo Clinton, professor da UC Berkley, ex-professor de Harvard, e que também trabalhou tanto em administrações republicanas (Governo Ford) e democratas (Governo Carter).

No documentário ele mostra várias coisas sobre como hoje se produz muito mais que no passado, de como os executivos ganham muitas vezes mais, e como o salário da classe média está estagnado. O assunto é gigantesco para colocar aqui, mas um dos pontos que ele faz é que quando o governo Reagan cortou investimentos na educação, não só a mobilidade social foi prejudicada, mas também a capacidade dos EUA de produzir tecnologia de ponta.

Um exemplo notório do documentário é sobre as parcelas de lucro sobre cada venda de iPhones. Por incrível que pareça, não são os EUA ou a China que mais ganham dinheiro em cima de um iPhone. Aqui vai o percentual e o que cada país leva: 34% para o Japão, 17% para a Alemanha contra 6% para os EUA, e 3.6% para China.

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A explicação é simples, países como Alemanha, Japão e Coréia investem pesado em educação. Quanto mais educada a mão de obra, maior a capacidade de produzir produtos e tecnologia de ponta.

E o que isso tem a ver com a Austrália? Sem dúvida alguma hoje a Austrália é um dos melhores países para se viver no mundo. Mas fico pensando no que vai acontecer quando os minerais acabarem. O que nossos filhos estarão produzindo nas próxima décadas? Será que a educação vai ser sucateada como no Brasil com os cortes que o atual governo vem propondo. Será que as universidades vão priorizar os melhores estudantes ou os que tem o maior poder econômico para pagar os cursos nessa do governo estar querendo cortar subsídios para faze-las funcionar como empresas?

Fico pensando, se ao invés de ficarmos reclamando do Carbon Tax, e as empresas esperando a vitória do Tony Abbott, se a Austrália teria conseguido avançar mais na geração de energias renováveis. A Austrália tem uma capacidade imensa, com muitos cientistas de qualidade. Para quem não sabe o famoso Wi-Fi foi criado por um cientista australiano da CSIRO (Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation). Mas sei lá o que agora nos espera, já que até o Ministério das Ciências foi abolido pelo atual governo.

Mas deixando o ponto de vista econômico de lado, e olhando para o meio ambiente. Não fico surpreso com os comentários feito pelo ator Leonardo DiCaprio sobre o plano americano de criar uma reserva oceânica, e o que ele viu na Grande Barreira de Corais na Austrália:

Ler: Obama unveils huge Pacific sanctuary as Leonardo DiCaprio gives Australia a blast

E para quem não sabe, isso é que o atual govermo está fazendo: Australia approves dredging near Great Barrier Reef

Critics claim that Australia’s Great Barrier Reef Marine Park Authority buckled under political pressure exerted by prime minister Tony Abbott’s Liberal-National government, which they say favours the interests of big business over environmental protection.

Não estou dizendo que o Labor fez ou faria melhor. Apesar de ter vários pontos de vista que pendem mais para o liberalismo econômico, sempre achei algumas políticas do Labor mais interessantes para o futuro do país – o meu maior problema sempre foi na sua capacidade de execução.

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