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Saiba mais sobre a Parada Gay de Sidney – ou Sydney Mardi Gras

By in Curiosidades on 27 de February de 2014

Parada gay, parada LGBT ou LGBTIQ? Para você pode não fazer diferença, mas para uma considerável parcela da população faz. Esses termos refletem a luta em torno do reconhecimento das diferentes orientações sexuais e identidades de gênero na nossa sociedade. Não há um consenso do que seja o melhor termo, nem mesmo dentro do mundo acadêmico. Portanto nessa postagem eu vou usar LGBTIQ (lésbica, gay, bisexual, transgênero, intersexual e ‘questioning’) já que ele é mais abrangente.

Todos os anos Sydney é palco de uma das maiores paradas LGBTIQ do mundo conhecida como Sydney Mardi Gras. Completando 36 anos esse ano, ela é sinônimo de alegria e celebração da diversidade na sociedade australiana, com muitas famílias e aliados héteros (em inglês, ‘straight allies’) participando. Porém, nem sempre foi assim. A primeira parada, que ocorreu no dia 24 de junho de 1978, foi marcada por muita violência policial já que naquela época homosexualidade era tida como um crime na Austrália – sim, crime. Aliás, a prática só foi descriminalizada na Tasmânia em 1997! Foi o último estado a fazer reforma jurídica em torno do tema.

Muitas vezes amigos me perguntam: “como é a situação dos gays aí na Austrália?”. Eu não posso responder pelo país todo, mas aqui em Melbourne eu vejo uma atitude progressiva. Vamos aos ‘causos’:

1. Quando trabalhava numa universidade aqui, tinha um colega que era diretor financeiro de um dos departamentos. Papo vai, papo vem e caímos no assunto férias. E aí galera, quais são as viagens desse ano? Ah, eu e meu marido vamos visitar minha família no Rio, eu vou para Las Vegas para uma despedida de solteiro, eu vou para Byron Bay… Até que meu colega solta: eu e o John vamos para as Maldivas celebrar 10 anos de união. Gente, aquilo para mim foi o MÁXIMO. Jamais no Brasil, bem, no Rio, um diretor financeiro teria a oportunidade de se assumir como ele é.

2. Uma amiga expatriada recebeu um bilhete da escola primária do filho falando que a professora iria entrar em licença maternidade. Ela ficou confusa porque não lembrava da professora estar grávida. Aí a ficha caiu – realmente ela não estava grávida, mas sua companheira. Você imagina isso no Rio – uma escola anunciando aos familiares que a professora irá apoiar sua companheira na jornada mais importante de suas vidas? Eu não! (infelizmente)

3. Uma outra amiga expatriada um dia me encontra para um cafézinho na cidade. Toda eufórica ela me fala, “Menina, você tem-que-ver o atendente da biblioteca! Não, você não está entendendo! Você tem-que-vir comigo até a State Library!!!” Eu imaginei que fosse dar de cara com a versão de Melbourne do Hugh Jackman, mas… o atendente era ‘cross-dresser’ – na maior e mais tradicional biblioteca pública da cidade, lá estava ele todos os dias com seus leggings, saia, sapatilha e blusa. Ele saía de casa todo o dia assim e ia trabalhar numa boa, sem ser questionado ou sofrer qualquer tipo de discriminação ou abuso. Mais uma vez eu não consigo imaginar isso na minha cidade natal (infelizmente).

Você, querido leitor, deve ter percebido que há um respeito a individualidade bem grande. Esse respeito também é assegurado por lei através do Sex Discrimination Act (1984) e aqui em Victoria através do Victorian Equal Opportunity Act (2010).

Claro, nem tudo são flores. Jovens ainda são alvos de discriminação – somente 19% dos jovens LGBTIQ se sentem seguros em suas escolas e mais de 75% já sofreram algum tipo de abuso, seja físico ou verbal. Pessoas que moram nos bairros mais afastados do centro, e em cidades rurais, não se sentem confortáveis em expressar sua orientação. Amigos que viajaram a Gold Coast (nordeste da Austrália) recentemente foram alvos de chacotas e não se sentiram seguros o suficiente para sair a noite sozinhos. O casamento entre pessoas do mesmo sexo ainda não é legalizado no Commomwealth, mesmo a maioria da população sendo a favor . As pessoas LGBTIQ em relacionamento de facto hoje em dia tem muito de seus direitos assegurados pela lei (pensão por morte, herança, previdência privada) mas ainda vemos casos de indivíduos que tem que lutar na justiça quando seus parceiros morrem para provar a legitimidade do relacionamento e ter acesso a benefiicos que conquistaram juntos em vida.

Tivemos muitos avanços desde o primeiro Mardi Gras em Sidney, mas ainda temos muito o que caminhar em termos de igualdade na Austrália. Se você quer dar seu apoio a comunidade LGBTIQ, apareça no Mardi Gras esse sábado. Acesse o site e planeje seu dia: http://www.mardigras.org.au/parade/

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