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Uma praga na terra dos cangurus

By in Curiosidades on 22 de February de 2014

Autor: Edmond Battisti

Toda vez que escuto as palavras “Praga de coelhos” não consigo ligar uma palavra a outra, mas são considerados uma praga na Australia, infelizmente esse é o resultado da interferência dos humanos na natureza, o que sempre causa um desequilíbrio.

Em 1854 um tiuzinho inglês chamado Thomas Austin se aventurou para as terras extensas e virgens da Australia, sua idéia era assentar-se e construir uma fazenda com a qual pudesse ganhar o sustento de sua família. Mas já sabemos que os inglêses quando se acomodam em algum lugar, acabam convertendo-o em uma réplica de seu bairro londrino. E o que Thomas Austin tinha saudades era da caça, a decisão daquele caçador, agora sabemos, teria uma das conseqüências mais desastrosas para o equilíbrio ecológico da Austrália, que continua causando dores de cabeça até os dias atuais.

Para poder desfrutar de seu particular hobby, Austin decidiu levar até a Austrália as peças que faltavam em seu puzzle. No natal de 1859, Thomas Austin soltou pelas vastas, mas frágeis terras da Austrália setenta e duas perdizes, cinco lebres e vinte e quatro coelhos para satisfazer seus anseios cinegéticos.

Apenas sete anos depois de colocar em liberdade unicamente duas dúzias de inocentes parentes de Roger Rabbit, e revisando os livros e diários que o caçador anotava de suas presas, o resultado era espantoso. Na sua contabilidade de caça do ano 1866 o inglês, entre a arrogância e a extrema meticulosidade, dizia com orgulho ter caçado, nada mais e nada menos, que 14.253 coelhos.

Aqueles primeiros vinte e quatro coelhos introduzidos na Austrália converteram-se em milhares em apenas poucos anos depois. Hoje são considerados uma verdadeira praga e estimam que a população atual destes roedores supera os 400 milhões; todos eles tatara-tatara-netos dos simpáticos Oryctolagus cuniculus que nosso protagonista soltou para aliviar a nostalgia de seu lar e seu fanatismo pela caça.Livres, em terras generosas, com abundantes recursos e com poucos predadores que lhes fizessem frente, os coelhos de Thomas Austin fizeram o que melhor sabem fazer: reproduzir-se.

Introduzir espécies estranhas em um meio alheio é uma perigosa jogada que, em algumas ocasiões, pode ocasionar prejuízos a tudo o que estiver estabelecido. O normal, evidentemente, é que se soltarmos uma vaca em uma selva dure um par de horas quando muito. No entanto às vezes a roleta dá um giro estranho, criando condições necessárias para o impensável, e é então neste momento quando a vaca come o leão.

Fonte: Um pescador bêbado me contou ontem.

Foto de RaeAllen

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